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Estratégia

O que manter na marca quando a empresa muda?

Cinco empresas renovaram a marca em outubro de 2026 depois de crescer ou mudar de negócio. O que cada uma manteve, o que mudou por inteiro e um autoteste de quatro perguntas para decidir o que fica na sua.

Por Alcunha23 Out 20266 min de leitura
Um caranguejo-ermitão sai de uma concha velha e lascada em direção a uma concha nova cor de terracota, sobre pedra clara e fundo verde-floresta.

Reunião de diretoria. Alguém diz que o logo "parece de 2010". Todo mundo concorda. Dez minutos depois, ninguém consegue dizer em uma frase o que a empresa faz hoje.

A cena é comum em empresa que cresceu, mudou de negócio ou trocou de comando. A vontade é refazer tudo. O caminho mais útil começa antes do desenho. Mantenha o que o cliente já reconhece e o que ainda é verdade sobre a empresa. Mude o que descreve um negócio que vocês deixaram para trás. Em outubro de 2026, cinco empresas renovaram a marca depois de crescer ou mudar de negócio. Cada uma fez essa escolha de um jeito.

O que as marcas que mudaram em outubro mantiveram?

A n8n, plataforma de automação, apresentou logo novo, fonte nova e cores ajustadas em 14 de outubro. O rosa ficou. No blog da n8n, o cofundador e CEO Jan Oberhauser chama a mudança de "um ajuste" e diz que ela não é uma reconstrução (20/10/2026). Ele também admite que parte da comunidade vai sentir falta do logo antigo.

Post da n8n no X, de 21/10/2026, com um vídeo sobre a nova marca e as reações da comunidade.

No post, a empresa conta que leu tudo, de "amei o ajuste" a "está me conquistando aos poucos".

A Youse, seguradora brasileira, manteve a figura humana no centro do símbolo. Também ficaram "os principais códigos de reconhecimento", segundo o comunicado publicado pelo portal SEGS (15/10/2026). Antes de decidir, a Interbrand, que conduziu a estratégia, ouviu clientes, não clientes e corretores.

A Sunlife, grupo internacional de seguros e investimentos, modernizou o globo com sol que já usava. O símbolo continua lá, mais simples (comunicado da Sunlife, 15/10/2026).

O que elas mudaram por inteiro?

A Remote, empresa de folha de pagamento global, trocou o logo inteiro. O monograma "R" saiu e entrou o nome desenhado com blocos geométricos. O motivo era de negócio. Segundo a Creative Boom, site britânico de design, a empresa nasceu em 2019 ajudando a contratar gente em outros países. Hoje se apresenta como "sistema operacional financeiro" da força de trabalho global. Já passou de US$ 300 milhões em receita recorrente anual. O visual antigo não acompanhava mais (19/10/2026).

Mesmo assim, o nome ficou. E o blog da Remote faz questão de avisar que o serviço é o mesmo que o cliente "conhece e confia" (13/10/2026).

A Lord Abbett, gestora de investimentos fundada em 1929, tirou todo símbolo do logo e deixou só o nome (comunicado oficial, 19/10/2026). A firma ampliou o que oferece na última década. A marca nova gira em volta do ativo mais antigo que ela tem.

A Sunlife também mexeu fundo. O nome virou uma palavra só. E a empresa avisou que, durante a troca, o público vai ver as duas marcas ao mesmo tempo. Ninguém troca tudo num dia.

Como decidir o que fica na sua marca?

Em todos os anúncios, a justificativa vem do negócio, e o desenho vem depois. O passo seguinte é separar o que o cliente reconhece do que só a equipe está cansada de ver.

Em sucessão, esse cuidado pesa mais. A geração que assume quer marcar a nova fase, e faz sentido. Só que o cliente não estava nas reuniões da família. Para ele, a cor do caminhão ou o sobrenome na fachada podem ser justamente o motivo da confiança.

Autoteste: o que manter e o que mudar?

  1. O que o cliente reconhece de longe, sem ler nada?
  2. O que a marca atual diz sobre a empresa que ainda é verdade?
  3. O que ela diz, ou deixa de dizer, que descreve um negócio que vocês não são mais?
  4. Quem de fora da diretoria foi ouvido antes da decisão?

Se a primeira resposta tem itens e a terceira está vazia, talvez baste um ajuste, como o da n8n. Se a terceira está cheia, a conversa começa no posicionamento.

Em resumo

  • Antes de redesenhar a marca, decida o que fica e o que sai.
  • Mantenha o que o cliente reconhece e o que ainda é verdade sobre a empresa.
  • Mude o que descreve um negócio que ficou para trás. Se der, troque aos poucos.

Fontes

Alcunha

Temas deste artigo
  • identidade visual
  • posicionamento
  • reposicionamento
  • rebranding
  • sucessão
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